Não é “mal menor”. Sondagens não votam: só o voto elege o PR
Há segundas voltas que não cabem num gráfico de sondagens nem num combate de slogans. Cabem numa pergunta mais simples — e mais dura: que tipo de país queremos reconhecer como “normal” no dia seguinte? A 8 de fevereiro de 2026, não escolhemos apenas um nome para Belém. Escolhemos um método, um tom e um limite. Escolhemos se aceitamos que a política portuguesa se transforme em ruído permanente, ou se insistimos no essencial: a República vive de regras comuns e de respeito recíproco.
É precisamente aqui que as sondagens, os “estudos de opinião” e os painéis de projeções podem enganar. Na primeira volta, quando não era claro quem passaria à segunda, as projeções ocuparam o espaço mediático como se fossem bússola, juiz e sentença. Agora, quando o desfecho parece “mais previsível”, instala-se outra tentação: achar que o essencial já está resolvido. É um erro — e é um erro perigoso. Uma sondagem mede intenções; a urna confirma decisões.
A regra eleitoral é simples e inexorável: não há Presidente eleito por percentagens de ecrã, nem por tendências estatísticas, nem por consensos fabricados em comentários de estúdio. Há Presidente eleito por votos contados. E isto não é retórica — é literal: sondagens não votam. Só o voto elege o Presidente.
André Ventura quer que esta escolha seja lida como uma guerra de etiquetas: “sistema” contra “antissistema”, “eles” contra “nós”. É uma narrativa cómoda — e perigosa — porque evita o que realmente está em causa. O que está em causa não é um rótulo partidário: é um padrão democrático. Quando se reduz tudo à tribo, desvia-se o olhar do........
