Demografia: a ignorar o maior risco económico do século?
O Risco Que Não Faz Manchetes
Há um tema que raramente ocupa as manchetes financeiras. Não move os mercados num dia. Não provoca reuniões extraordinárias dos bancos centrais. Não gera alertas de última hora nos terminais financeiros.
No entanto, pode vir a ser mais determinante para o crescimento económico global nas próximas décadas do que a inflação, as taxas de juro ou até a própria IA. Esse tema chama-se demografia.
A verdade é desconfortável: continuamos a falar demasiado pouco sobre o envelhecimento populacional. O debate económico centra-se na próxima decisão do BCE, na inflação ou no próximo conflicto armado. Entretanto, uma transformação profunda está a acontecer diante dos nossos olhos: o mundo desenvolvido está a envelhecer, a ter menos filhos e a caminhar para uma economia com menos trabalhadores, mais pensionistas e uma pressão crescente sobre o crescimento.
Os Números Que Deviam Preocupar-nos
O Japão é o aviso mais claro com idade mediana nos 50 anos, a mais elevada do mundo, seguida por Itália, com cerca de 49 anos e Portugal em seguida com cerca de 47 anos (fonte: Eurostat). A Europa, no seu conjunto, tem uma idade mediana superior a 43 anos. Os Estados Unidos continuam relativamente mais jovens (39 anos), em parte graças a maior dinamismo demográfico e maior capacidade histórica de atrair imigração.
Estes números não são uma curiosidade estatística, são uma das variáveis mais importantes para compreender o futuro da economia mundial. Porque o verdadeiro problema não é vivermos mais anos e com mais qualidade de vida – pelo contrário, é uma das maiores conquistas da humanidade. O........
