Ser normal é o novo normal
A política portuguesa presta-se, de facto, a muitas singularidades. O líder do maior partido, que calha ser o primeiro-ministro em funções e estar na plena posse dos seus poderes, anda preocupado com sombras e a desafiar os rivais internos (?) a irem a jogo. O líder do segundo maior partido, que calha ter sido merecedor de quase 1.8 milhões de votos nas últimas presidenciais, parece não saber o que fazer com tanto voto e suspira pelo regresso do fantasma que aflige o outro. E o líder do terceiro maior, que calha chefiar um partido que ninguém quer chefiar neste momento, anda acelerar calendários, prazos e debates internos para tentar ganhar uma legitimidade política que muitos, no partido e fora dele, não lhe parecem reconhecer — e que não reconhecerão por muitas eleições internas que faça.
O primeiro não encaixa a ideia de que as sombras só se agigantam quanto mais em baixo estiver o foco de luz. O segundo não descortina uma fórmula para juntar o útil (protestar e ter votos) ao agradável (propor e governar). O terceiro não compreende que é preciso mais do que esperar que o primeiro falhe para herdar o poder, porque o tempo da alternância entre os dois maiores partidos tradicionais parece ter chegado ao fim.
É este problemático triunvirato que António........
