O PS também deveria ouvir Passos
Não vale a pena dar muitas voltas. As mais recentes (e violentíssimas) declarações de Pedro Passos Coelho são um óbvio embaraço para Luís Montenegro. Por uma entre muitas razões: é impossível defender, com objetividade, que a AD esteja a conseguir estar à altura das (muitas) expectativas que criou na primeira e segunda campanhas para as eleições legislativas. Montenegro veio para ser diferente de Costa e romper com o estado de coisas; mas, dois anos depois, o ar que se vai respirando no país não parece, para já, ser, no essencial, assim tão diferente.
Depois da pacificação das corporações, exercício necessariamente útil mas sempre precário, da descida de impostos (sobretudo para os mais jovens), da tentativa de reconciliação com os pensionistas e das leis relacionadas com a imigração, o Governo parece estar com dificuldades em recuperar a iniciativa política. Pior: quando tenta explicar ao país aquilo que está ou quer fazer, acaba sempre atropelado por algum acontecimento que não controla.
Na Saúde, não há luz ao fundo do túnel; na Habitação, os preços continuam proibitivos e as casas uma miragem para quem não seja mais do que remediado; na Justiça, a reforma pela qual todos clamam está ainda por conhecer; na Economia, um Governo de direita continua com um crescimento anémico e arrisca-se a regressar aos........
