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A angústia dos nossos tempos

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22.03.2026

Nietzsche, de quem convém lembrarmo-nos nos tempos que vivemos, lamentava-se do “defeito hereditário” de todos os filósofos: a falta de consciência histórica. Como já não nos restam filósofos, e como em Portugal desde há muito que lhes perdemos o rasto, limitemo-nos à nossa pequenez para lamentar a total ausência de consciência histórica de políticos e comentadores. O modo como uma classe e outra têm olhado para o passado recente, quando nos propõem sem piedade colocar estes últimos três ou quatro anos “em perspectiva”, levanta a habitual suspeita de ignorância – ou má-fé.

Se há coisa segura é que o momento que atravessamos com uma guerra inexplicável e irresolúvel em curso, e outra às nossas portas, em que escolhemos um inimigo, mas sem o atrevimento de o derrotarmos, suscita uma angústia universal. Daí que amaldiçoemos o tempo em que vivemos e lisonjeemos o tempo que passou, sobretudo as décadas que se seguiram ao horror da 2ª Guerra Mundial. Gostamos de fundar este protesto e esta ingratidão com os ditames da consciência tenra e malformada que resume a condição moral do político e do comentador neste estádio do progresso da Humanidade.

Alegadamente, o mundo de hoje impõe-nos sofrimento e injustiça nunca dantes vistas. Com o desastre da liderança americana em curso, com os crimes que se descobrem todos os dias jamais previstos pela bafienta lei natural........

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