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Irão e EUA: entre petróleo, poder e instabilidade

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09.03.2026

A crescente confrontação entre Irão, Estados Unidos da América (EUA) e Israel representa um dos episódios mais perigosos da já complexa história geopolítica do Médio Oriente. O conflito, que se desenvolve em várias frentes e através de múltiplos atores indiretos, tem vindo a gerar spillovers significativos para países da região adjacente, ameaçando a estabilidade de um espaço que, paradoxalmente, nos últimos anos parecia caminhar para uma relativa normalização política e económica. No entanto, para compreender o comportamento estratégico de Teerão é necessário afastar leituras que frequentemente dominam o debate público ocidental e analisar o problema à luz de uma lógica de poder e sobrevivência do regime.

O Irão sabe perfeitamente que não tem capacidade para enfrentar militarmente os EUA ou Israel num confronto convencional direto. A disparidade de meios é demasiado grande. O orçamento de defesa americano ultrapassa largamente os 800 mil milhões de dólares por ano e sustenta um aparato militar global sem paralelo histórico, com uma sofisticação cada vez maior, como é agora o caso, das novas tecnologias IA inseridas em material militar. Israel, por sua vez, possui uma das forças armadas mais bem preparadas do mundo, fruto do estado constante de combate e conflito que este país se depara, praticamente desde a sua fundação. É precisamente aqui que entra a lógica estratégica de Teerão. Se não pode vencer uma guerra convencional, pode, no entanto, tornar qualquer conflito demasiado dispendioso, prolongado e politicamente complexo para os seus adversários. A resposta iraniana tem sido, ao longo das últimas décadas, o desenvolvimento de uma estratégia de guerra assimétrica baseada na criação deliberada de instabilidade regional. Em vez de concentrar o confronto num único campo de batalha, o Irão procura dispersar o conflito por múltiplos teatros, multiplicando os pontos de pressão geopolítica e criando uma rede de tensões que dificultam qualquer resposta militar decisiva.

Essa estratégia assenta numa arquitetura regional cuidadosamente construída desde os anos 1980. Ao longo do tempo, Teerão investiu na formação, financiamento e armamento de diversos aliados e grupos não estatais que funcionam como extensões indiretas da sua política de segurança. Por exemplo, o Hezbollah no Líbano constitui talvez o exemplo mais conhecido e mais poderoso desse sistema, tendo evoluído para uma força militar altamente sofisticada e integrada na política libanesa. No Iémen, o apoio aos Houthis permitiu abrir uma nova........

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