A forma portuguesa de se viver
Dizem que nasci no paraíso. Cresci a ouvir os políticos a venderem-nos como o “jardim à beira-mar plantado”, o refúgio seguro da Europa, a tal “Califórnia” com azeite e sardinhas. Mas hoje, a sair de mais um dia de trabalho enquanto me preparo para ir à universidade, apenas vejo que é mais um mês em que chego a meio e tenho de ficar a contar tostões, pergunto-me em que dimensão paralela vivem aqueles que nos governam. Porque o Portugal que eles exportam nas brochuras não é o Portugal em que eu acordo todas as manhãs.
Não tenho necessariamente algo contra o casal Smith que vem do Colorado aproveitar a brisa e culinária portuguesa, mas é difícil ouvir no comboio para Sintra “How cheap Portugal is”, enquanto eu, com 24 anos, com formação e emprego, já devia estar a pensar em construir vida, mas, ao invés disso, a minha maior vitória mensal e de todos os portugueses é conseguir pagar por um buraco que a imobiliária apelidou de “estúdio acolhedor e minimalista”. É, na verdade, uma arrecadação glorificada onde se dorme tão colado à janela que sei de cor as discussões dos........
