"Orbán versus Soros" chega a Portugal
A 19 de Fevereiro, teve lugar, no Grémio Literário de Lisboa, a apresentação do livro Orbán Versus Soros, escrito pelo filósofo político húngaro Gábor G. Fodor. A obra foi apresentada pelo embaixador e actual deputado do Parlamento Europeu António Tânger Correia e pelo consultor político, ex-candidato presidencial e escritor venezuelano Alejandro Peña Esclusa. Estiveram presentes o embaixador da Argentina, a embaixadora da Hungria, o presidente da Assembleia da República, membros do Instituto Trezeno e outras figuras ilustres da sociedade civil portuguesa.
Para quem começou apenas há pouco tempo a familiarizar-se com a política da Hungria e da Europa de Leste, deve ser surpreendente saber como é que George Soros, o multimilionário húngaro, e Víktor Orbán, o homem que governa a Hungria há quase 16 anos, puderam alguma vez ter uma relação minimamente amistosa. Já na década passada, Soros afirmou estar “cheio de admiração pela corajosa forma como o povo húngaro resistiu ao engano e corrupção do estado-máfia que o regime de Orbán estabeleceu”, tendo definido “estado-máfia” como aquele que mantém a fachada da democracia, enquanto os governantes usam os media e o pode judicial para se enriquecerem e se manterem no poder. As informações fornecidas pelo livro explicam porque e como Soros nem sempre foram rivais políticos irreconciliáveis.
Um conflito irreconciliável
Depois da sua segunda reeleição, em 2018, Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, prometeu tornar efectiva uma lei “contra a sociedade civil”. Orbán tem sido conhecido, sobretudo desde o fim do seu segundo mandato, por responsabilizar uma rede da oposição, organizações não-governamentais (ONGs) e os sectores mais críticos da imprensa por participarem num alegado esquema elaborado pelo multimilionário húngaro-americano George Soros, com o objetivo de enviar milhões de imigrantes para a Hungria.
A lei proposta (e, entretanto, aprovada), designada “Lei Soros”, exige que as ONGs que desenvolvam actividades relacionadas com a migração se registem no Ministério do Interior húngaro. Tal permite que algumas sejam rejeitadas com base em razões de segurança nacional, após inspeção pelas agências competentes. Outra medida prevista na lei é a sujeição a um imposto de 25% sobre qualquer financiamento estrangeiro destinado a actividades relacionadas com a migração. O Comité de Helsínquia Húngaro, parcialmente financiado por Soros, mostrou-se confiante na legitimidade do seu trabalho e afirmou não se sentir intimidado pelo que descreve como o “poder ilimitado para alterar a Constituição, desmantelar ainda mais o Estado de direito e restringir arbitrariamente........
