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A Guerra

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08.05.2026

Quem viu a eleição de Trump com simpatia foi-se habituando a rezar a todos os santos para que uma fralda facial acolhesse providencialmente a permanente incontinência verbal do homem, que não o faz ganhar nada, e aos seus apoiantes perder muito.

Todos os dias, às vezes várias vezes no mesmo dia, tomamos conhecimento das suas últimas expectorações, incluindo na rede social que lhe pertence, tais e tantas que só não se aventa a hipótese de ter ao seu serviço um esquadrão de escritores-fantasma porque, se existissem, decerto lhe escreveriam melhor os posts e os discursos que infelizmente improvisa.

Isto é bar aberto para quem (e o “quem” são muitos nos EUA, inúmeros na Europa e quase todos entre nós) queria um líder inspirador de sociedades inclusivas como Obama ou de meias tintas internacionalistas como Biden. E daqui que se queira usar o ridículo do homem para com ele cobrir também às suas políticas.

Erro fatal. Porque os “deploráveis” que elegeram Trump fizeram-no não apenas por acreditarem na sua retórica do “América primeiro” e do “fazer a América grande de novo”, ou por apreciarem as bravatas e grosserias com que se distingue, mas também por desconfiança do elitismo internacionalista supostamente iluminado que faz dos EUA, externamente, o garante da manutenção de uma ordem que não é a que mais lhes convém e, na interna, o progressivo (“progressista” na língua de pau dos engenheiros sociais) deslizar para uma sociedade multicultural que deve cada vez menos à matriz que os pais fundadores pensaram e ao quadro cultural cristão, e cada vez mais a culturas alienígenas importadas às costas de vagas sucessivas de imigrantes, sem esquecer as universidades onde hoje se acolhe não a divergência sadia de opiniões mas o unanimismo radical.

Daí as promessas de um travão à imigração; de reindustrialização; de reduções de impostos; do fim das quotas por sexos e por etnias na administração pública, nas empresas e no ensino; de entraves à produção industrial e à extracção de minérios e hidrocarbonetos; de dinamitação do Estado intrusivo, presente sob a forma de agências governamentais em todas as esquinas da vida de forma cada vez mais minuciosa; de regulamentações e limitações de todo o tipo para combater as alterações climáticas e outros moinhos de vento; de trazer para casa vários poderes delegados a agências internacionais, com frequência hostis aos EUA porque a maioria dos países o é; e de forma geral tratar o wokismo, o bem-pensismo e o progressismo com doses salutares de repressão, negação e indiferença – consoante.

Isto e muito mais, no meio de grande atabalhoamento, com avanços e recuos e uma estridência que seria dispensável.

Sobretudo, e essa parte dói a nós, Europeus, dizendo alto e bom som o que já pelo menos os........

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