A lição de Espanha sobre a deriva extremista dos socialistas
O que é que acontece num país que vê a sua população crescer 10% em meia dúzia de anos, por via da chegada de imigrantes, isto ao mesmo tempo que poucas casas são construídas? Não é preciso ser um génio para responder: esse país tem necessariamente um problema de habitação, de falta de casas.
E o que é que acontece quando um bem se torna raro e a procura é muita? Também não é preciso ser economista para dar a resposta: esse bem torna-se mais caro, às vezes escandalosamente oneroso.
O país aqui descrito podia ser Portugal mas acontece que é Espanha, sendo que os números são muito parecidos e houve um tempo em que as políticas públicas também. A Portugal chegou quase um milhão de imigrantes desde 2020, mas só construímos umas 130 mil casas; já a Espanha chegaram quase 5 milhões de imigrantes e só foram construídas umas 550 mil novas habitações. A diferença entre Portugal e Espanha é que deste lado da fronteira já se começou a regular a entrada de imigrantes ao passo que do lado de lá continuam a governar os socialistas. Pior: em Madrid os socialistas não só levaram a esquerda mais extremista para dentro do governo, como adoptaram a sua forma de fazer política.
Basta ver o que se passou nos últimos dias. E começar porventura pela mensagem que Pedro Sánchez publicou no Instagram onde justificou os dois decretos elaborados à pressa pelo governo – um governo que lidera há oito anos… – porque “as pessoas saíram à rua e exigiram medidas”. Os destinatários da mensagem eram os partidos da oposição e também uma parte dos independentistas catalães. “A rua”, na óptica de Sánchez e dos seus aliados, tem mais legitimidade do que o parlamento e as instituições. Uma “rua” que o governo quer atirar contra as oposições apesar de ser ele quem detém o poder. Uma “rua” que entre os estrategas socialistas talvez ainda não esteja suficientemente “aquecida” para criar um clima suficientemente emocional que permita ao partido evitar a........
