Incêndios em Gironde: a industrialização florestal
A 19 de junho de 1857, em tempos de Napoleão III, foi promulgada a lei que impôs a florestação de milhares de hectares de terras pantanosas nos territórios da Gironde e Landes. Foi assim que a região da Nova-Aquitânia ganhou nova roupagem, um grande perímetro de lodaçais e dunas foi ocupado por uma vasta cultura de pinheiro-bravo, área hoje apelidada de Floresta das Landes. Deu-se deste modo um grande desenvolvimento económico: produção de resina (técnica ao que parece, ancestral nas paragens), exploração intensiva de madeira até à implementação da indústria do papel. Verificou-se igualmente o progresso das comunas piscatórias situadas em torno da Baía de Arcachon, hoje uma reputada estação balnear. Tudo isto, benesse do pinheiro. A floresta artificial das Landes, representa na atualidade, um território de aproximadamente um milhão de hectares de monocultura, um dos maiores braseiros da Europa. As monoculturas florestais são sensíveis aos fogos, impulsionadoras de uma rápida propagação de incêndios e até zonas adjacentes, povoações e reservas naturais. Impossível deixar de relacionar este caso com a realidade portuguesa: segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a cultura do eucalipto ocupa 26% da superfície florestal........
