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Do prado ao prato com escala em Ormuz

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01.04.2026

Dói na carteira, eu sei. Paramos no corredor dos laticínios ou em frente à  vitrine do talho, olhamos para a etiqueta do preço e o suspiro de indignação  é automático. A partir daí, o desporto nacional é previsível: culpa-se a  ganância do retalhista, aponta-se o dedo ao intermediário e chora-se o  agricultor. É uma narrativa reconfortante, mas intelectualmente preguiçosa.  A verdade é que, por muito que aquele bife ostente um orgulhoso selo de  “Produzido em Portugal”, o nosso prado verde e tranquilo fez,  inevitavelmente, uma escala invisível no Estreito de Ormuz.

A Europa inebriou-se com a poesia da sua estratégia “Do Prado ao Prato”.  Adoramos a imagem bucólica do agricultor de proximidade que nos entrega  a comida imaculada à porta. Mas convém acordarmos para a realidade: a  agricultura e a pecuária modernas, que nos garantem a maior segurança  alimentar da História, não se fazem apenas com sol, chuva e boas intenções.  Fazem-se com energia. Muita energia. E ignorar isto é não perceber ........

© Observador