Palavras ocas e braços cruzados: Açores
Os Açores enfrentam um problema estrutural grave, com a saída contínua de jovens qualificados e em idade ativa, o que compromete seriamente o futuro económico, social e demográfico do arquipélago. Perante este cenário de emergência, assistimos a um espetáculo político confrangedor. Multiplicam-se os anúncios de intenções, organizam-se congressos pomposos, debatem-se estratégias em hotéis e desenham-se planos académicos teoricamente perfeitos. No entanto, o resultado prático de toda esta retórica é nulo. A inércia de toda a classe política é gritante e incompreensível.
Esta falta de resultados práticos expõe também a gritante falta de influência e a consequente falta de influência do poder político açoriano junto do Estado Central. É factual que o nosso círculo eleitoral elege apenas 5 deputados à Assembleia da República, uma desvantagem numérica colossal quando comparada com grandes círculos como Lisboa ou Porto, que elegem dezenas de parlamentares. Essa assimetria numérica traduz-se numa gritante diferença de influência política. É por isso que esses grandes centros urbanos conseguem, com facilidade, arrancar junto do Ministério da Administração........
