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Escrevem melhor, percebem menos

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Há números que se leem depressa e há números que nos deviam tirar o sono. Os resultados das provas ModA de 2026 pertencem a esta segunda categoria, por muito que tenham sido apresentados como boas notícias.

É verdade que a Matemática subiu. Também é verdade que os alunos escrevem um pouco melhor. Só que, no 4.º e no 6.º anos, recuou precisamente a dimensão que segura todas as outras, a compreensão de textos. Os nossos alunos produzem mais texto e percebem menos aquilo que leem. Num sistema educativo, há poucas notícias mais graves do que esta.

Não falo de fora. Sou professor do 1.º ciclo e há anos que venho reparando e combatendo isso. Crianças que juntam as letras, que até escrevem frases arrumadas, mas que chegam ao fim de um parágrafo sem conseguir dizer o que leram. As ModA vieram pôr números naquilo que muitos de nós já sentíamos na sala de aula.

Antes de falar do problema, convém reconhecer o mérito. Durante anos, as provas de aferição foram mudando de formato, de escala e de critérios. Cada edição era uma fotografia solta, impossível de comparar com a anterior, e passávamos o tempo a discutir subidas e descidas que podiam não passar de ruído.

As ModA acabam com isso. Assentam na Teoria de Resposta ao Item e no modelo de Rasch, o mesmo tipo de metodologia que se usa no PISA e no TIMSS. Recorrem a um banco de itens calibrados, que podem ser reutilizados de um ano para o outro, e mantêm fixas as linhas de corte entre níveis de desempenho. Dito de forma simples, um 52 em........

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