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Há vidas que parecem perdidas até alguém lhes tocar com amor

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22.05.2026

Há oficinas onde o tempo abranda sem pedir licença. A luz entra inclinada pelas janelas antigas, o pó permanece suspenso no ar como uma memória e as ferramentas gastas repousam sobre as bancadas com a serenidade das coisas que aprenderam a durar. Não se ouvem vozes altas nesses lugares. O silêncio tem ali outra espessura. Quase parece que as coisas feridas deixam de ter vergonha de existir.

Naquela oficina havia tábuas encostadas às paredes, pedaços fendidos pelo tempo, superfícies deformadas pela humidade e pelos Invernos. Restos esquecidos que qualquer olhar apressado classificaria como inúteis. Não tinham o brilho das coisas novas nem a perfeição intacta daquilo que ainda não foi atravessado pela vida. E, no entanto, o velho carpinteiro movia-se entre aquelas madeiras como quem percorre um arquivo de histórias humanas.

Havia qualquer coisa de desarmante na forma como tocava a madeira rachada. Não com pena. Não com nostalgia. Mas com respeito.

Um........

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