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Holidays on ICE

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18.04.2026

O voo entre Munique e São Francisco aterrou ao fim da tarde. Mal parou na pista, o avião quase vazio foi invadido por polícias com uniformes que não reconheci. Um deles gritava, a exigir exibição dos passaportes. Mostrei o meu, que um polícia com sobretudo de cabedal me arrancou das mãos e lançou ao chão. Sempre debaixo de gritos, todos os passageiros viram-se forçados a sair em fila, primeiro através da manga, depois para a enorme sala da alfândega, escura e decorada com um retrato do presidente de dimensões desproporcionadas. Aqui, o pandemónio redobrou: mais gente, mais polícias, mais gritos. Reparei numa mulher com cerca de 30 anos que, agarrada a um carrinho de bebé, soluçava e, sem se dirigir a ninguém em especial, perguntava em castelhano pelo filho. A seguir reparei na alcatifa, feia e imunda, e nas embalagens de “snacks” e roupas pisadas que parcialmente a cobriam. Uma voz distribuída pela péssima instalação sonora dava instruções: “É rigorosamente proibido o uso de telemóveis”; “Não falem excepto quando exigido”; “A desobediência às indicações das autoridades será punida adequadamente”; “Deus abençoe a América”. A iluminação da sala oscilava e ameaçava falhar. A fila de passageiros do meu voo juntou-se a uma fila maior, da qual algumas pessoas eram retiradas de modo aparentemente aleatório.........

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