A Ciência, a Política e o Poder
Há poucos dias a prestigiada revista The Lancet publicava um editorial intitulado ‘Aupporting medical science in the USA’ onde comentava os mais recentes ataques da administração americana às instituições e organizações da ciência para a saúde nos EUA. Nesse editorial o autor denunciava flagrantemente esses ataques chamando a atenção para os seus riscos e apelando à necessidade de resistência pela comunidade científica. Pareceu-me por isso pertinente e, sobretudo, atempado reflectir sobre as relações entre a Ciência, a Política e o Poder.
Se a ciência se baseia na busca – aplicação do conhecimento e na compreensão do mundo natural e social apoiando-se em evidências, já a política é o conjunto de actividades associadas à tomada de decisões e as relações de poder entre indivíduos, conduzindo à distribuição de status ou de recursos.
As interacções entre ciência e política existiram desde sempre: Desde a antiguidade, opções políticas guerreiras levaram Arquimedes a idealizar máquinas bélicas e hoje continuam a impulsionar a física na descoberta de armas cada vez mais letais e, nos dias de hoje, o sonegar pela política de efeitos nefastos que desrespeitam o ambiente, ao arrepio de todas as recomendações da ciência. A política não deve dispensar a ciência para bem basear as suas decisões, mas teima em usar a ciência como arma de intervenção poderosa. Reciprocamente, a ciência precisa do apoio político-governamental para financiar as suas pesquisas e para implementar as suas........
