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Israel, o espelho invertido

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A coluna anterior terminou numa fronteira: a equação coerciva funciona sobre quem trata a segurança como moeda negociável e falha sobre quem a trata como fim último. Israel é esse caso: o espelho invertido de toda a lógica aqui descrita.

A regra enuncia-se em duas frases: a reorganização geoeconómica pode comprar, coagir e atrair quase todos os actores; não transacciona com quem define a sua posição como existencial. No Golfo, os Estados Unidos usaram a segurança como meio para justificar um fim económico. Em Israel encontraram um aliado para quem a segurança é o próprio fim, e que por isso deixou de servir o fim económico. Tudo o que se segue ilustra esta regra.

A viragem americana tem duas raízes. A interna é a vitória, nesta fase, da facção céptica da guerra, encabeçada pelo vice-presidente Vance, e mede-se na guerra de fugas de informação entre as duas capitais: aliados que falam através dos jornais são um contencioso. A raiz transaccional é a que aqui importa. O objectivo estrutural americano nunca foi apenas a reabertura do estreito de Ormuz. Foi a reabertura sob controlo americano: a mão na torneira de um Golfo que abre, fecha ou cobra conforme convém, sobretudo por causa da China e da Europa, que dele muito dependem. O próprio Trump reclamou a ideia ao ameaçar cobrar pela protecção da navegação como........

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