Horas a menos para livros a mais
Lembro-me de uma feira do livro do Porto em que ouvi uma palestra de Clara Ferreira Alves. Aos catorze anos, a figura fascinava-me: era uma biblioteca em pessoa, um baluarte de segurança intelectual. Mais do que falar, ela decretava - e eu, inexperiente no cinismo e em tanta coisa, não compreendia a diferença. Ouvia-a e aprendia.
Para mim, os livros eram pássaros de asas fechadas. Antes de levantarem voo no imaginário, ficavam quietos na mão. No dia de inauguração da feira, eu entrava em primeiro lugar, manga adentro pelo ar condicionado até à abóbada do Pavilhão Rosa Mota. E tudo via de fora, que é a melhor maneira de........
