Fed sob nova direção: Kevin Warsh deve ter um despertar desagradável
NOVA YORK – Agora que Kevin Warsh foi nomeado para o cargo de presidente do Federal Reserve (o BC dos EUA), vale a pena perguntar em que medida o Fed de Warsh será diferente do atual.
O presidente Donald Trump deixou claro que quer um presidente do Fed que pressione por taxas de juros mais baixas para estimular a economia e apoiar sua agenda mais ampla. Contudo, Warsh tem um histórico de política monetária “hawkish” (postura rígida contra a inflação), expressando preocupações com o risco de inflação excessiva, mesmo durante o ciclo deflacionário pós-2008. Além disso, ele é um globalista republicano mainstream que favorece o livre comércio e a imigração, não um ideólogo protecionista-nativista do Maga.
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Então, por que Trump o escolheu? Além da necessidade de acalmar os mercados, que ficaram assustados com os ataques dele à independência do Fed, uma razão pode ser que Warsh acredita que a IA e outras inovações tecnológicas reduzirão a inflação e, assim, permitirão taxas de juros mais baixas.
Mas há um problema aqui: se a IA reduzir a inflação, isso ocorrerá por meio de um crescimento maior do PIB e da produtividade, o que implica a necessidade de uma taxa de juros real (ajustada pela inflação) e uma taxa real de longo prazo mais altas, mesmo que uma inflação mais baixa implique uma taxa de juros nominal potencialmente mais baixa.
Em resumo, a IA não justificaria necessariamente uma taxa de fundos federais neutra mais baixa. Se Warsh e o outro aliado de Trump no conselho do Fed, Stephen Miran, pensarem o contrário, podem ter uma surpresa desagradável.
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