O TSE, o desfile pró-Lula e a “operação abafa” do PT
O carnaval acabou. A escola Acadêmicos de Niterói, que “homenageou” o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, no Rio, foi rebaixada. Mas o desfile que teve Lula como protagonista, sob acusações de propaganda eleitoral antecipada e de abuso do poder econômico e político feitas pela oposição, deve continuar sob os holofotes nos próximos meses.
Sentindo que o caso pode ter desdobramentos na Justiça Eleitoral, prejudicando a candidatura de Lula à reeleição, o PT e sua tropa de choque logo deflagraram uma “operação abafa”, para tentar conter os danos e propagar a narrativa de que o desfile não violou a legislação eleitoral, cujo objetivo é limitar ações que possam desequilibrara disputa em favor de um candidato.
Segundo eles, o que aconteceu no sambódromo carioca foi apenas uma manifestação artística, protegida pelo direito sagrado da liberdade de expressão – aquele que eles tanto criticam e relativizam quando lhes convêm. Um exemplo emblemático é a possível ação que o PT e o governo estudam impetrar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra críticas ao desfile.
"Não sou o carnavalesco, não fiz o samba-enredo", disse Lula, que considerou como “extraordinária” a “homenagem” feita a ele pela escola. Para a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da presidência da República, Gleisi Hoffmann, o carnaval é “um espaço de crítica e de celebração popular” e enxergar um crime eleitoral numa “homenagem histórica” é “censurar a cultura brasileira”.
Já o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, que reúne juristas e advogados de esquerda, quase todos ligados ao PT, disse que “é muito difícil que o desfile configure propaganda antecipada”, porque não houve pedido explícito de voto. “É uma discussão absolutamente artificial, um debate que chega a ser até desonesto. Não houve ilícito eleitoral”, declarou Carvalho.
Confete, serpentina e purpurina
De certa forma, é até natural que eles tenham procurado jogar água na fervura. Ninguém esperava que admitissem que o desfile infringiu a lei. Como disse Lula numa entrevista anos atrás, parafraseando uma afirmação do ex-deputado e ex-governador paulista Paulo Maluf, “eu nunca vi um réu se declarar culpado; todo réu se declara inocente”.
Agora, não é porque estão tentando blindar Lula contra as acusações que pesam contra ele no TSE que suas justificativas devem ser levadas a sério. Não precisa ser “bolsonarista”, de “extrema direita” ou “fascista” para acreditar que o se viu na avenida foi um verdadeiro comício........
