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O PSD trocou Kant por Maquiavel

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20.04.2026

O PSD é hoje um partido maquiavélico. A expressão não surge em forma de insulto ou acusação, é mera constatação da realidade. Não pretendo afirmar que o meu partido está a fazer tudo mal e de forma errada – não está! Está apenas a ser pragmático, como reconheceu recentemente em entrevista ao Expresso o próprio Hugo Soares.

Aí, como seria de esperar, distanciou-se do legado de Rio, pois quando se apresenta uma alternativa, é natural e saudável que o rumo das coisas não seja o mesmo. No entanto, creio que o maior contraste do PSD de Rio para o PSD de Montenegro vai além da política corriqueira do dia-a-dia. Não se traduz apenas numa guinada à direita, nem tão pouco numa dualidade de partido de oposição para partido de poder.

A principal diferença entre as duas visões do partido é algo de mais substancial e profundo: o PSD abandonou Kant e abraçou Maquiavel.

Durante os quatro anos de liderança de Rio, o partido tinha uma estratégia: a de não ter nenhuma. Muitos eram os críticos (internos e externos) desta abordagem desinteressada de Rio à Política. O anterior líder não dava grande importância a essa oposição e até ao fim não abdicou do seu ideal de que os tão frequentes calculismos políticos não eram para si. Em vez disso, preferiu sempre priorizar o interesse da Nação e só depois o do PSD e o pessoal. Foi um mantra por si seguido e evocado inúmeras vezes e encontra forma, por exemplo, na crise pandémica — onde recusou uma oposição feroz ao governo para daí obter ganho político. Enquanto muitos o acusavam de estar a servir de muleta do PS, menos eram os que o apoiavam, e........

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