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Nas caixas de comentários, há portugueses “de bem” que adoram quando morrem pessoas

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27.07.2026

O atropelamento e morte de pessoas na Alemanha durante o desfile LGBTI é uma tragédia e o fruto de um ataque movido pelo fanatismo, pela intolerância que ainda se professa e vive em muitas partes do mundo contra quem ousa ter uma orientação sexual não heteronormativa. Ter sido um apoiante do Estado Islâmico quem cometeu este crime não é menos nem mais relevante do que ter sido outro qualquer. São, infelizmente, muitos os credos que ainda desprezam ou silenciam a comunidade LGBT. São ainda muitos os países em que são perseguidos, presos, torturados e mortos os homens que amam outros homens, as mulheres que amam mulheres, as mulheres que ousam amar outro que não o seu marido ou todos os que não encaixam no paradigma dos dominantes. São os horrores quotidianos, nalguns casos protegidos pela lei e pela religião, que justificam que estas marchas existam e tenham de continuar a acontecer.

Não pensemos que, por cá, vivemos num mar de rosas em que a aceitação do outro é regra, apesar de ser lei. A lei protege institucionalmente, mas não garante que o ódio seja erradicado. As caixas de comentários das notícias que informaram sobre o ataque em Berlim deviam, elas próprias, ser notícia. Num primeiro momento, quando os jornais deram nota do atentado contra os manifestantes em que morreu uma pessoa e várias ficaram feridas com gravidade, encheram-se as caixas de comentários de mensagens como estas que transcrevo:

“Eu dava apoio a esse homem” (António Duarte)

“O condutor está bem? Espero que o carro tenha concerto” (Vítor)

“Só tiveram aquilo que merecem” (Sara........

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