Minha namorada iraniana
Não me lembro mais o nome dela. Poderia ser Yasmin (Jasmim), Mahsa (como a lua), Roshan (Luz, brilhante). Não importa. Ela era linda e nossos olhares tinham apenas 20 anos. Aconteceu em Boppard, na Alemanha, à beira do Reno. Nossos destinos se cruzaram como barcos numa mesma correnteza, navegaram juntos por breves instantes, e depois seguiram, cada qual para seu mar distante.
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Em 1979, interrompi meu curso de medicina na UFMG para um estágio no Instituto de Medicina Tropical de Hamburgo. Na época, não imaginava o quanto impactaria meu futuro. Uma bolsa de iniciação científica do CNPq, do Goethe Institut e passagens de cortesia da saudosa Varig onde minha irmã trabalhava viabilizaram essa experiência única. Cheguei a Boppard com minha mala de sonhos e meu dicionário de palavras que tropeçavam na língua.
As pequenas loucuras do cotidiano
Nos encontramos no Goethe Institut. Eu era colega dos primos dela, com quem jogava futebol todos os finais de tarde. Ela assistia e me olhava com olhos persas de jabuticaba. Vibrava com os gols do Oriente contra o Ocidente. Vê-la vibrando era compensador. Seus cabelos negros, envoltos num lenço colorido, dançavam ao vento, e seu riso tinha o som de todas as canções que eu ainda não conhecia.
Havia naqueles jogos algo maior que a disputa pela bola. Havia a inocência de um tempo em que as fronteiras eram apenas linhas nos mapas. Não havia muros entre corações. A amizade........
