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Brasil olha para o Paraguai, mas outra história acontece ao lado

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15.05.2026

Enquanto o Brasil olha para o Paraguai, tem outra história sendo escrita aqui ao lado.

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Todo mundo que circula em eventos de negócios no Brasil nos últimos dois anos ouviu a mesma conversa: Paraguai. Imposto único de 1% pela Lei de Maquila. Energia barata. Burocracia enxuta. Grau de investimento conquistado na Moody's em 2024 e na S&P em 2025. Muitas indústrias brasileiras já atravessaram a fronteira, sendo que, no intervalo de dez anos, esse número saltou de cerca de 40 para mais de 200, avanço superior a 400%. Riachuelo, Vale, JBS. O assunto virou consenso nos grupos de WhatsApp de empreendedores e nas mesas de jantar de quem pensa em internacionalizar.

Não estou aqui para dizer que o Paraguai não faz sentido. Até faz, em determinados e limitados contextos, para pontuais modelos de negócio. Mas passei alguns dias em Bogotá e voltei pensando porque tanta gente fica tão hiper focado num vizinho e quase não olha pro outro.

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A catedral que começa 180 metros abaixo do chão

Saí de Bogotá numa manhã de segunda-feira numa van com outros turistas dos Estados Unidos e IRlanda, direção norte. Uma hora de estrada em uma paisagem fria e aberta, até chegar em Zipaquirá. A cidade em si é pequena, colonial, boa de caminhar. Mas ninguém vai até lá pela cidade.

A Catedral de Sal, uma daquelas obras humanas que nos fazem questionar o significado de impossível, fica enterrada a 180 metros de profundidade numa antiga mina. Você desce por um túnel escuro, curvo, com luz projetada nas paredes de sal, e quando o espaço abre (e ele abre de um jeito que você não espera) a sensação é de que você está dentro de algo que não deveria existir. Uma nave gótica completamente esculpida no sal. Três naves menores que levam até ela, cada uma representando uma estação da Via Crucis. Escala absurda. Silêncio que pesa.

Japão para quem já viu muita coisa — e ainda assim se surpreende

O que me pegou não foi só o lugar em si, embora seja extraordinário. Foi o que existe em torno dele.

Em 2025, a Catedral de Sal atingiu um recorde histórico de 705.045 visitantes. Esses visitantes vêm de mais de cem países. A fila do café na saída da mina tinha gente falando inglês, espanhol, francês e até japonês. Ali dentro ainda tem restaurantes, artesanato, joalheria, tudo de altíssimo nível. Por fora, hospedagem, guias, transporte. Uma cadeia econômica inteira que não existia antes da reconversão da mina em destino turístico.

O patrimônio subterrâneo........

© Estado de Minas