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Opinião | Riscos no carnaval ameaçam tanto os foliões quanto quem prefere fugir da festa

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15.02.2026

O carnaval é antes de tudo um feriado comprido, onde cada um pode fazer o que quiser, desde se esconder no mato, no alto do morro, sem celular ou internet, até entrar de cabeça, fantasiado de sonho impossível, e se atirar sem medo e sem remorso em todas as aventuras que apareçam na sua frente.

Cada um sabe de si e faz a escolha que quiser, tanto faz o que os outros pensem, tanto faz o que os outros façam. Quem escolher se esconder atrás de um pouco de paz está certo e quem decidir ir para avenida, dançar os quatro dias sem parar, também está certo.

Boa parte dessas ações tem um denominador comum: elas alteram rotinas, ou seja, alteram a forma de vida das pessoas e, consequentemente, alteram os riscos que as ameaçam, para mais ou para menos, para o bem ou para o mal.

Seria lógico dizer que quem busca paz dentro de uma mata, no alto de um morro distante da civilização, tem um risco menor. Mas será que é verdade? E para chegar no alto do morro? Normalmente as estradas que levam a estes lugares são precárias, quando não uma trilha um pouco mais larga para permitir a passagem de um veículo.

Muitas vezes contornam precipícios ou barrancos onde o carro pode cair numa derrapada na terra molhada. Além disso, nem sempre os motoristas têm a habilidade e a prática necessárias para transitar num terreno assim. Uma coisa é uma rodovia privatizada no Estado de São Paulo, outra é uma estrada municipal de terra e sem manutenção, que cruza a encosta íngreme de um morro, sem qualquer proteção lateral.

Mas será que a pessoa que decidiu se jogar de cabeça nos 4 dias de carnaval também não tem riscos que escapam à sua rotina? No dia a dia é alguém disciplinado, com hábitos comedidos, rotinas claras e profissão com baixa chance de acidente.

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No carnaval, a coisa toda muda. Sai para a rua fantasiado de sonho impossível, com uma mamadeira de plástico cheia de cachaça, não enjeita uma cerveja gelada para fazer o contraponto, se atira nos braços de gente que nunca viu, sobe no trio elétrico, fica na bordinha da carroceria, abraça e beija todo mundo como se não tivesse amanhã e o carnaval fosse o passaporte para se vingar da rotina do resto do ano.

Difícil dizer onde está ou onde estão os maiores riscos. Como escreveu Guimarães Rosa, “viver é muito perigoso”. E a regra vale para todos os dias do ano, seja ou não carnaval.

É aí que o seguro entra para a reduzir a tragédia e as consequências dos dramas. Se o seguro não evita o acidente, ele garante a minimização dos danos, pelo pagamento da indenização. Se a pessoa que se enfiou no mato cair numa picada estreita, o seguro indeniza a perna quebrada. Se ela bater o carro na estrada municipal, o seguro indeniza os reparos.

Na outra ponta, se quem foi para o carnaval, no meio da bagunça, perder o celular, o seguro indeniza, se for atropelado ou cair do trio elétrico, o seguro indeniza. Se tiver o carro furtado, o seguro indeniza.

Entre secos e molhados, é melhor ter seguro o ano inteiro do que correr o risco de arcar com os prejuízos, no carnaval ou numa terça-feira de maio, a caminho do trabalho.


© Estadão