Talvez a maior ameaça à paz seja a falta de memória
Nos tempos em que vivemos, já se tornou claro que a paz mundial já não assenta nos mesmos pilares que a sustentaram durante a segunda metade do século XX. Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, com a Europa, a União Soviética e grande parte da Ásia em ruínas, o mundo concentrou-se na reconstrução. A paz não era apenas um ideal, mas sim um desígnio partilhado e compreendido pela maioria dos líderes mundiais, moldados pela memória viva da destruição causada por um conflito que matou mais de 70 milhões de pessoas. A coexistência pacífica entre os Estados Unidos e a União Soviética não se explicava apenas pelo medo do armagedão nuclear; as duas superpotências sabiam que, mesmo num confronto limitado a armamento convencional, o custo humano e material seria incomportável e que, muito provavelmente, as suas sociedades não estariam dispostas a suportá-lo. Em 1945, Winston Churchill mandou preparar um plano para a eventual invasão da União Soviética pelos aliados anglo-americanos, no seguimento da vitória sobre a Alemanha Nazi. O nome de código escolhido pelo estado-maior britânico não poderia ser mais apropriado: “Operação Impensável” (“Operation Unthinkable”, em inglês). Após seis anos de guerra, o mundo estava exausto e as grandes potências centravam os seus esforços na reconstrução.
Até aos anos 90, as principais potências........
