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“Ousar mudar”

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17.03.2026

Vivemos tempos conturbados e imprevisíveis. Não sabemos se os dias futuros serão melhores, ou piores. Temos unicamente como verdade a alteração permanente das certezas do passado. O suporte multilateral do Direito Internacional, esvaziou-se. Manda quem pode, os outros, obedecem ou fazem pela vida. A confiança entre Estados, e estes nas Instituições internacionais e nos tratados internacionais, perdeu força. Apanhada pela guerra à sua porta, e com o seu maior aliado menos confiável, a Europa vacila entre uma economia que não arranca e uma União política aprisionada na chantagem da decisão por unanimidade. Procuram-se saídas, mas a Europa perde-se nas lideranças autónomas dos seus Estados. As suas fracas lideranças não ousam pensar em modelos maiores, que fortaleçam a União Europeia, a exemplo das do tipo; Federação ou Confederação. Continuam os tabus políticos do passado e o saudosismo dos impérios. O Mundo entrou numa nova era que privilegia a força militar, o tamanho dos Estados, as suas riquezas naturais e as suas capacidades de inteligência e inovação económica, onde pontifica o desenvolvimento digital. O digital está a transformar tudo, na economia, na guerra, na informação, e na própria Democracia. O crescimento da robotização e da Inteligência Artificial rompem com os modelos de informação que conhecíamos, do saber, da forma de pensar de fazer, confundindo factos que nos ajudavam a identificar a verdade. Entramos na era do disfarce fácil, da substituição programada, da racionalidade externa que nos levam para um mundo virtual que comanda vidas e mortes. A robotização “inteligente” não deixará de ter consequências futuras, e graves, na desindustrialização de grandes grupos económicos e nas formas de emprego, com crescimento do número dos desempregados. A nova economia dispensará progressivamente o Homem: Primeiro os seus “braços”; depois as suas “cabeças”. Contudo, todos querem que a sua população cresça: uns porque receiam a diminuição do número de consumidores; alguns porque continuam a pensar que os exércitos se fazem com muitos militares; outros, como na Europa, e em especial em Portugal, porque não querem ver diminuídas as contribuições sociais, justamente quando a esperança média de vida aumenta, e com ela a necessidade de maior investimento em saúde e bem-estar dos mais envelhecidos. Esta nova economia vai originar a diminuição das receitas provenientes dos impostos sobre o trabalho. As máquinas produzem riqueza, mas não têm rendimentos nem pagam impostos diretos. Contudo, o Estado mantém-se agarrado à tributação da criação de riqueza, sobretudo sobre os que trabalham por conta de outrem, pouco fazendo para tributar a própria riqueza, ou os seus detentores. O credo no crescimento contínuo da economia e com ela a respetiva base tributável não chegará para manter o Estado Social. Parece ser cada vez maior o número dos que querem que o Estado socorra tudo e todos, ignorando que o Estado somos todos nós. Os que pagam impostos e os que deles beneficiam. Subsídios. O mágico apelo de muitos: Cidadãos, Instituições e empresários. Todos sabemos que quanto maior for o Estado Social e as ajudas por ele dadas, maior é a necessidade de receita fiscal. Porém, todos querem pagar menos impostos. Ora, se não se encontrarem novas formas de arrecadação de receita pública, Portugal não conseguirá garantir, por muito mais tempo, a sustentabilidade do Estado Social, designadamente na gratuidade universal de muitos dos serviços públicos, como na educação, saúde, ou nos transportes públicos, em moda nas grandes urbes. Fala-se há anos na necessidade de fazer reformas, mas estas não acontecem, porque cada Partido entende-as de maneira diferente. Se não existirem previamente estudos e debates para escolha de caminhos possíveis que envolvam os principais agentes Políticos, nada acontecerá de relevante. A Política não pode continuar presa aos ciclos eleitorais que oferecem alternativas apenas nas insuficientes propostas orçamentais, e muito menos na disputa da distribuição de benesses públicas. Neste modelo de Democracia política agarrada ao passado, muitos sentem o seu mundo de tranquilidade fugir e os mais jovens sentem não existir futuro para si. O crescimento dos extremismos à direita é o princípio da revolta dos descontentes. As pessoas não mudam por alterações de tendências ideológicas, mas por medo do futuro e insatisfação do presente. É grave e perigoso o crescimento das desigualdades que temos vindo a assistir entre os ricos, ou muito ricos, e o resto da população. É necessário fazer já pequenas adaptações/reformas, do que ser obrigado a fazê-las abruptamente e com grande impacto nos direitos dos cidadãos. O País deve criar formas para pensar o futuro. A Política tem necessidade de “sair da caixa”. O Presidente da Républica, o Governo, o Parlamento, os Partidos políticos, as Universidades e outros Sábios de reconhecido mérito, devem juntar-se para pensar o presente e o futuro, procurando soluções e mudanças necessárias aos novos tempos. Criem Instituições. Debatam ideias. Ousem fazer.

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