“A escolha entre decência e...”
“Quando o fascismo voltar, ele não dirá ‘eu sou o fascismo’.
Ele dirá ‘eu sou a liberdade’.”
(Umberto Eco)
Não há como fugir ao assunto. A segunda volta das eleições presidenciais marca obrigatoriamente a agenda política em Portugal. É a segunda vez que, na democracia portuguesa, se torna necessário recorrer a uma segunda volta para eleger o presidente da República (a primeira foi em 1986). Porém, o acto eleitoral que vai decorrer no próximo dia 8 de Fevereiro reveste-se indiscutivelmente de maior relevância.
A explicação para o racional desta conclusão está nas enormes diferenças que separam os dois actos: em 1986, a contenda eleitoral era entre a esquerda e a direita, numa disputa então protagonizada por dois democratas, ambos respeitadores da Constituição. Acontece que este ano o cenário é deveras distinto.
Dentro de uma dúzia de dias não nos será possível escolher entre um dos dois candidatos, partindo do pressuposto de que ambos são democratas, de que ambos podem vir a assumir o papel de garante da Constituição. Essa é a enorme diferença relativamente à eleição de 1986. Este ano, estaremos perante dois candidatos com concepções absolutamente diferenciadas e completamente antagónicas: na primeira linha do boletim de voto estará o nome de António José Seguro, consensualmente reconhecido como democrata, moderado e comprometido com a defesa dos valores constitucionais; o seu oponente será André Ventura, abusivamente auto-intitulado........
