“Por dentro e por fora do portão…”
Quem acompanha os noticiários com atenção não estranha a frequência com que a escola surge, não como devia, numa notícia de algum sucesso ou inovação na aprendizagem, mas como cenário da deteção de uma qualquer crise: de violência doméstica detetada por um professor, de uma criança sem alimentação adequada identificada por uma auxiliar, ou de adolescentes em sofrimento mental ou em abuso sinalizados por um psicólogo escolar. A escola tornou-se, de forma não planeada, mas inevitável, o principal ponto de contacto permanente do Estado com as famílias. Ao lado das unidades de saúde, é ela, na prática, a única instituição massiva que vê e acompanha regularmente crianças e jovens — e, por extensão, os respetivos contextos familiares. Esta posição privilegiada, que devia ser complementada por uma rede robusta de apoio de serviços externos, continua solitária. As respostas das instituições do meio envolvente chegam tarde, chegam incompletas ou simplesmente não chegam. A articulação imediata, após a deteção de um problema — aquela janela crítica em que a intervenção faz toda a diferença — é, em muitos casos, uma utopia prolongada. Falar de sucesso educativo, sem falar do que acontece fora da sala de aula, é um debate muito incompleto. Um aluno que vive num contexto de violência doméstica não aprende melhor com melhores manuais. Uma criança com perturbação de linguagem não diagnosticada não supera as dificuldades de leitura só porque o professor tem boa vontade. Um........
