Nomear o poder das mulheres políticas
Juliana Romão — gestora de narrativas, mestra em comunicação pela UnB e autora do livro “A Linguagem das Mulheres Políticas - desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública”
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"Este deve ser o bosque onde as coisas não têm nome", comenta Alice, numa das passagens mais simbólicas do clássico Através do espelho, de Lewis Carroll. É que as coisas, pessoas e conceitos só ganham um lugar social quando inseridas numa cultura, quando são nomeadas e, assim, passam a existir.
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As nomenclaturas organizam e dão sentido à realidade, moldando a forma como enxergamos o nosso entorno. A pesquisa Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras, conduzida pelo Instituto Clarice, revela esse movimento: 96% das pessoas entrevistadas sabem reconhecer alguém que se expressa de maneira poderosa, mas 40% não conseguem citar o nome de uma mulher nessa condição de comando.
É sintomático, o imaginário social ainda não associa o feminino à categoria poder. Os dados mostram que os ambientes vistos........
