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Arquivos para a justiça social

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24.05.2026

Natália Carneiro Jornalista e diretora-executiva da Casa Sueli Carneiro

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O arquivo não é um mero ajuntamento de dados, mas um status. Taxativo, o entendimento de Achile Mbembe, renomado pensador camaronês, encontra sustentação em muitas evidências e explicita a natureza política das instituições arquivísticas, e do papel da memória em nosso tempo. 

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Por representar prestígio, os arquivos materializam a escolha do que são sujeitos, fatos e espaços dignos do não esquecimento, algo que vale ser revisitado no futuro porque dá lastro a prioridades coletivas. Trata-se do que o historiador haitiano Michel-Rolph Trouillot chamou de "poder arquivístico", e que, por certo, não está garantido a todas as pessoas, sobretudo, em sociedades marcadas por desigualdades.

O controle desigual sobre a produção histórica daí resultante, não por acaso, tem feito do modelo hegemônico de arquivo um monumento ao apagamento ou ao subdimensionamento de amplos segmentos populacionais ao longo de séculos — em especial de pessoas negras, indígenas,........

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