Mimeógrafo escondido no quarto sob a ditadura
“E fomos por ruas e becos, subidas, descidas e voltas para despistar possíveis perseguidores, até me deixarem na João de Barros com uma sacola, onde jazia o mimeógrafo dentro de um saco de papel. Não sei se pesava mais ao braço ou ao coração. Por que perto do quartel de bombeiros, sério, apreensivo, pus a mão no peito e subi as escadas. Lá, guardei-o no próprio saco de papelão, no único lugar que não dava na vista: debaixo da minha cama. Um espelho comprido, no entanto, que devia ter sido de um guarda-roupa, ia até o chão e refletia a minha rara prenda.
Ponho a mão sobre a testa para me dizer hoje, ‘quanta precariedade’. Tudo era frágil e grandioso, como se fossem carnívoros que se comessem mutuamente. Com tão pobres........
