Indústria do Imaginário (I)
Por anos, quando as votações no Congresso tinham mais relevância, ocorria algo esquisito. Os deputados saíam do local, onde aconteciam as votações, para assistir à sessão pela TV do comitê de imprensa — colado ao plenário. Nas palavras do ensaísta e músico José Miguel Wisnik essa cena projeta a ideia de que "o que sai na imprensa é mais real que o real".
A análise de Wisnik fala da superindústria do imaginário, em que a ficção sequestra a percepção do real. Essa sensação que dá palco a guerras de versões, onde a realidade é moldada por interesses não revelados. Ele destaca como a imprensa ou o discurso público podem gerar "o incrível, o inacreditável", em que uma narrativa falsa é aceita como verdadeira. Esse deslocamento criaria uma realidade simulada, que passa a ser consumida como uma verdade coletiva.
O truque é manjado, mas funciona sempre. Em especial num ecossistema de ignorância e desinformação. Quanto maior a vocação da plateia para linchamentos públicos, mais sucesso fazem as verdades fabricadas artificialmente por vigaristas que veem na avacalhação uma oportunidade para ganhar notoriedade, dinheiro ou eleições.
Em seu ocaso, a imprensa tradicional ainda consegue fazer estragos. Os cursos de jornalismo poderiam ensinar os........
