Até ao fim, ninguém é dispensável
Há momentos em que o mundo inteiro cabe num quarto. Numa cama, numa respiração difícil, na mão de alguém que amamos. Lá fora, continuam o trânsito, os negócios, as discussões políticas. Cá dentro, a pergunta é outra: haverá quem nos ajude a atravessar este sofrimento sem perdermos o conforto, a companhia e a paz?
Neste dia 10 de outubro, Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, o Algarve precisa de escutar essa pergunta. Para quem enfrenta uma doença grave e para a família que acompanha cada noite de inquietação, a falta de resposta tem consequências concretas: dor insuficientemente aliviada, medo, exaustão e solidão. Não podemos habituar-nos a isso como se fosse uma fatalidade regional.
A carência está documentada. Na monitorização relativa a 2021–2023, a Entidade Reguladora da Saúde identificou a ausência de camas de cuidados paliativos na componente da rede analisada no Algarve.
Esse retrato não equivale à inexistência de todos os serviços paliativos, mas evidencia uma desigualdade que exige respostas verificáveis. Reconhecer o trabalho das equipas existentes obriga-nos também a exigir condições para que cheguem a mais pessoas.
Para um democrata-cristão, a dignidade humana não diminui quando o corpo enfraquece. Não depende da produtividade, da autonomia, da idade ou da capacidade de falar. A pessoa que precisa de ajuda para comer,........
