O último jogo não é o fim
Durante vinte anos, quase tudo está organizado. Os treinos, os jogos, as viagens, os objetivos, os adeptos, a adrenalina pré e pós-treino/jogo. Há sempre uma próxima competição, uma próxima vitória para perseguir e, de repente, deixa de haver. Será que tudo termina quando um jogador deixa de jogar?
Pensei nisto durante a elaboração do meu próximo livro e também ao conhecer melhor o conceito da Douro Legends Cup, que se realiza entre 11 e 13 de setembro, no Peso da Régua, e que reunirá nomes como Maniche, Ricardo Quaresma, Nuno Gomes, Hélder Postiga, Rui Barros, Jorge Andrade, Adrien Silva, Derlei, Abel Xavier, Beto, João Tomás, entre outros.
À primeira vista, poderíamos pensar que estamos perante mais um jogo de antigas glórias, mas não estamos. E é precisamente isso que desperta o meu interesse por este projeto.
A ideia nasceu do Maniche, que, depois de deixar os relvados, encontrou uma nova forma de continuar no jogo. Promotor da Douro Legends Cup e também uma das Legends que estará em campo, transporta agora para este projeto muito do que construiu ao longo de uma carreira ao mais alto nível. Depois de conquistar uma Champions e uma Taça UEFA, de representar Portugal em Europeus e Mundiais e de passar por alguns dos grandes clubes europeus, coloca a notoriedade, as relações e a influência acumuladas durante anos ao serviço de algo diferente: usar o futebol para criar impacto para lá das quatro linhas.
Quando lhe perguntei sobre esta nova dimensão da sua carreira, Maniche respondeu-me com uma ideia que resume bem aquilo que está por detrás do projeto:
− O futebol deu-me muito mais do que títulos.
Deu-lhe uma carreira internacional, a possibilidade de representar Portugal, competir nos maiores palcos e, sobretudo, construir relações que permaneceram muito para além do balneário. E acrescentou algo ainda mais importante:− Quando terminamos de jogar, percebemos que esse património não desaparece. A questão é saber o que fazemos com ele.
Esta é, na minha opinião, uma das grandes oportunidades que o desporto português ainda não soube aproveitar plenamente. Um grande jogador não termina a carreira apenas com títulos, internacionalizações ou milhares de seguidores nas redes sociais. Fica com um património que não aparece nas estatísticas nem se guarda........
