Cassiano Klein e a coragem de mexer no que parecia definido
Quando um treinador chega a um grande, sobretudo a um grande que vive há anos à sombra de uma hegemonia rival, não lhe basta treinar bem. Tem de convencer. Tem de mexer em hábitos instalados. Tem de tocar no orgulho do balneário sem o ferir. E, acima de tudo, tem de ganhar.
Cassiano Klein chegou ao Benfica com esse peso às costas e respondeu da melhor forma possível: conquistou o campeonato nacional e juntou-lhe ainda a Taça da Liga logo na primeira época. Na presente temporada voltou a deixar a sua marca ao conquistar a Taça de Portugal e continua na luta pela Liga Placard, numa final de play-off frente ao Sporting, que regista, para já, uma igualdade a um jogo.
Só isso já justificaria o reconhecimento. Mas o caso de Cassiano Klein merece uma análise mais profunda do que aquela que os títulos, por si só, permitem.
O Benfica precisava de um abanão. Não apenas tático, mas emocional. Precisava de recuperar a convicção de que podia voltar a discutir o poder no futsal português sem entrar em campo com a sensação de ter sempre algo a provar. E foi precisamente isso que Cassiano trouxe: devolveu competitividade, retirou peso mental e reintroduziu uma ideia fundamental nas equipas vencedoras: os jogos grandes não são um problema, são uma oportunidade.
No futsal moderno, como disse Ricardinho:
− Um treinador não muda apenas a tática, muda a mentalidade da equipa.
É precisamente nessa dimensão que identifico o maior impacto de Cassiano Klein. O Benfica não mudou apenas na organização do jogo; mudou na forma como compete, reage à pressão e enfrenta os momentos decisivos. Curiosamente, o próprio treinador brasileiro rejeita a ideia de transformação imediata baseada apenas no discurso. Para Cassiano, tudo começa na confiança humana:
− A confiança nasce de uma escolha de ser leal e procurar ajudar as pessoas no momento em que mais precisam. No desporto e na vida, é muito fácil ter pessoas próximas nas horas boas. Mas é quando as coisas ficam........
