Identidades: o futebol e o nós
O mundo dos símbolos é de uma natureza não racional. Aderimos e sentimos algum sentimento perante uma bandeira ou um hino, não porque racionalizamos a relação que esse símbolo nos cria com um coletivo, mas porque aderimos a essa ligação, a esse mediador, como parte da nossa própria natureza. Não se é português por opção entre outras possíveis. É-se português, tal como se é espanhol, francês, etc, porque há uma ligação entre cada um de nós e o coletivo com que se identifica, que está como que colada à pele.
E, se a adesão a um símbolo é não racional, a forma como vivenciamos e valorizamos esses símbolos é ainda mais não racional, tomando muitas vezes formas verdadeiramente a-racionais. Hoje, um pouco por todo o mundo, o desporto, especialmente o futebol, fez concentrar em si grande parte dos momentos da vivenciação simbólica nacional. Recordo, há uns largos anos, uma criança que, ao colo do pai, dizia, alegre, perante........
