menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Vade retro

43 0
21.04.2026

Há momentos na vida de um país em que o debate político deixa de ser apenas sobre soluções e passa a centrar-se, sobretudo, na memória. E a memória coletiva tende a funcionar como a individual: é seletiva.

Em períodos mais críticos, há uma propensão para desvalorizar o que foi negativo, relativizando-o face ao presente. Essa “falha de memória”, essa seleção ou mesmo esse desconhecimento da história, cria um terreno fértil para quem procura reescrever o passado e moldar o presente num modelo irracionalmente musculado.

Portugal não é caso único. Basta observar quantos setores, dentro e fora de portas, negam o Holocausto, apesar das inúmeras provas e testemunhos de quem viveu esse horror.

Quem tenta apagar e reconfigurar memórias fá-lo através da negação sistemática. Recusa ouvir, ver ou aceitar — ignora argumentos, despreza evidências, rejeita factos. E é nesse espaço que prosperam forças mais ou menos alinhadas com um saudosismo bacoco (as expressões do Norte continuam imbatíveis para descrever isto).

É neste contexto que o País se encontra hoje.

Entre discursos que invocam “ordem” e “eficiência”, cresce — de forma mais ou menos disfarçada — a tentação de regressar a modelos já testados, como se a história não tivesse demonstrado os seus limites.

Veja-se a dicotomia entre o 24 e o 25 de Abril: ditadura versus liberdade.

Sem demonizar nem branquear o........

© Visão