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Educação em Portugal: A quem convém tudo isto?

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10.07.2026

Num livro intitulado A Educação e o Significado da Vida (edições 70), lemos o seguinte: “A educação moderna está a tornar-nos insensíveis; ela faz muito pouco no sentido de nos ajudar a descobrir a nossa ‘vocação’ pessoal.” Podemos ainda acrescentar, do mesmo livro: “Passamos em certos exames e, se tivermos sorte, conseguimos ter um emprego – que, muitas vezes significa uma rotina para o resto da nossa existência.” O autor deste livro é J. Krishnamurti  e a sua tese central deveria ser conhecida por todos quantos estão no ensino, seja em que grau for, professores, auxiliares de educação, diretores de escolas, reitores de universidades, educadores de infância.

Eis a tese: “A ignorância é a falta de conhecimento das características do ‘eu’; e esta ignorância não pode ser dissipada por atividades superficiais e por reformas; ela só pode desaparecer através de uma atenção constante aos movimentos do ‘eu’ em todos os seus relacionamentos.” E, como corolário da sua tese, este argumento: “O autoconhecimento é o princípio da liberdade e só quando nos conhecemos é que somos capazes de criar ordem e paz […] Se os pais se preocupassem verdadeiramente com os seus filhos, eles construiriam uma sociedade nova; mas fundamentalmente, a maioria dos pais não se importa e, assim, não se arranja tempo para um problema tão urgente. Têm tempo para ganhar dinheiro, para se divertirem, para rituais e cerimónias, mas não têm tempo para pensar na educação correta dos seus filhos. […] Por conseguinte, entregam os seus filhos a escolas onde os professores não são diferentes desses pais.”

Perdoe-se a extensão das citações, mas creio que esse breve livrinho faz a radiografia exata deste nosso tempo educativo. Raramente, nos estudos sobre educação, este livro de Krishnamurti é citado, não obstante nele encontrarmos verdades incontornáveis: a educação mundial centrada na competição, nas exigências do mercado; as escolas transformadas num imenso rolo compressor onde nem sequer a preparação para a universidade está a ser equacionada em termos do que a universidade deveria ser: sede do saber e não – como é hoje – lugar do carreirismo mais nefando e das métricas substituindo o pensamento.

Na verdade, a este livro do pensador indiano poderíamos juntar o livro de Nicholas Carr, Prémio Pulitzer em 2011, Os Superficiais – O que a Internet Está a Fazer aos Nossos Cérebros (Gradiva, 2012). O que o autor deste livro constata? O que todos nós constatamos: o declínio da leitura de livros e de jornais,........

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