Inteligência Artificial: Três filosofias regionais, uma corrida global
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma matéria exclusiva de engenheiros informáticos para se tornar o centro geopolítico e económico do mundo moderno. Contudo, para quem observa o tema de fora, o fundamento das diferentes posições entre a Europa, a China e os Estados Unidos não é facilmente compreendido. Afinal, o que está verdadeiramente em jogo quando os líderes tecnológicos e os governos discutem as regras internacionais da IA?
Numa recente entrevista emitida a 27 de julho de 2026, Alex Karp, CEO da Palantir – uma das empresas norte-americanas mais influentes em análise de dados e defesa –, apresentou uma visão muito clara sobre como os Estados Unidos devem posicionar-se na corrida global da IA, articulando três grandes ideias que ajudam a ilustrar este debate.
Em primeiro lugar, Karp defende abertamente os modelos de código aberto. Perante as propostas de Washington para bloquear ou restringir severamente os modelos de IA de código aberto (especialmente os provenientes de empresas chinesas), o líder da Palantir posiciona-se frontalmente contra tais proibições. Argumenta que proibir o acesso ao software não impede o avanço dos concorrentes e que a melhor forma de vencer a competição é permitindo que as empresas americanas utilizem e aperfeiçoem todas as ferramentas disponíveis no mercado, competindo de forma aberta e transparente.
Em segundo lugar, alerta para a necessidade da Sovereign AI (IA Soberana) e para a proteção absoluta dos dados empresariais. Karp chamou a atenção para o risco acrescido de as empresas entregarem os seus dados mais valiosos e os seus segredos de negócio aos grandes laboratórios de IA (como a OpenAI ou a Anthropic) ao pagarem pelo uso dos seus sistemas na nuvem. A sua tese é a de que cada empresa ou governo deve ser dono da sua própria infraestrutura e dos seus dados. Na prática, isto levanta uma questão essencial: como se operacionaliza esta soberania? A resposta passa pela criação de infraestruturas de dados próprias ou dedicadas. Se para os governos e para as grandes multinacionais é viável construir e gerir centros de dados privados (em instalações próprias), para as pequenas e médias empresas o caminho passa por soluções híbridas – clouds privadas e regionais com encriptação soberana –, onde a tecnologia de IA corre "dentro de portas" sem que a informação sensível seja........
