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E, agora, quem poderá nos defender?

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25.10.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Estive em Lisboa com a minha editora para o encontro internacional de editores que ocorreu na semana anterior. Nos hospedamos num hotel perto da Igreja de Santo António e, como voltamos tarde, dormimos tão logo nos deitamos em nossas camas. Às quatro da manhã, despertamos com uma sirene intermitente que parecia tocar no mesmo andar do nosso quarto. Seria um incêndio? Um sinal para que os hóspedes deixassem o hotel de imediato em razão de um perigo iminente? Tentei ligar para a recepção, sem sucesso. Não havia outra hipótese: precisava descer para entender o que se passava.

Ainda zonza de sono, por pouco não desci as escadas descalça e de pijama. Troquei de roupa às pressas e pus o primeiro vestido que vi, ainda com o cheiro do perfume da noite anterior. Minha editora seguiu deitada, exausta. Disse-lhe que a chamaria assim que soubesse o que estava a acontecer. Saí do quarto de chinelos, e o barulho da sirene era ainda mais alto no hall dos quartos do nosso andar. Há quanto tempo a sirene estava a tocar antes que nos despertássemos? Será que todos já haviam saído, exceto nós?

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Para a minha surpresa, a porta antipânico que separa a área dos quartos do hall do elevador e das escadas estava fechada, o que não aconteceu em nenhum momento de nossa estância. Estranhei e tive medo de que fosse de fato um incêndio. Hesitei em empurrar a barra vermelha antipânico com as mãos. Tive medo de que estivesse a arder por um incêndio real, de que me queimasse as mãos ou que o fogo me lambesse a cara tão logo eu abrisse a porta.

Sem encontrar uma melhor opção, espalmei as mãos e empurrei rapidamente a barra vermelha antipânico, pois na hora me ocorreu o pensamento estúpido de que as palmas das mãos........

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