O Coração Ainda Bate. A alegria da redenção
A semana passada falei desse fosso relacional que pode haver entre pais e filhos: aquilo que não se perguntou, o silêncio que segurou vidas – mesmo que, por vezes, presas por arames finos. Alguns, em tom quase de indignação, escreveram-me, como se sentissem ofendidos, porque garantiam que tinham conhecido profundamente os seus pais e os seus filhos também sabiam tudo sobre eles.
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Compreendo: não conhecendo profundamente os meus pais, e até por isso, provavelmente, partilhei sempre tudo com a minha filha. Quando digo tudo é mesmo tudo: noites, manhãs, fraquezas, deslizes, desgostos e medos. Tudo. Um dia, quando eu morrer, a minha filha poderá dizer que me conheceu profundamente, mas acredito que para muitos não seja fácil admitir as suas fraquezas perante os seus descendentes, quando sempre nos foi incutido o dever de, perante eles, sermos fortes e estóicos. O........
