A mais nobre profissão do mundo?
Há frases politicamente irresistíveis. Na recente carta dirigida aos professores portugueses, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, escreveu que “escolhemos a mais nobre e mais importante profissão do mundo: Ser Professor”. A formulação procura reconhecimento simbólico numa profissão cansada, envelhecida e socialmente desgastada. E é difícil não concordar com a ideia essencial: poucas profissões têm responsabilidade pública comparável à de ensinar.
Mas há momentos em que o elogio da profissão corre o risco de substituir aquilo que verdadeiramente importa: as condições concretas do seu exercício.
A discussão sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente deveria começar precisamente aí. Não na retórica vocacional da missão, mas na definição política e institucional da docência enquanto profissão de conhecimento, com autonomia própria, responsabilidade intelectual e capacidade coletiva de participação nas decisões que estruturam a escola pública.
O problema central não é administrativo. Não é apenas saber como se organizam carreiras, concursos, progressões ou modelos de avaliação. O que está verdadeiramente em causa é uma pergunta mais profunda: queremos professores reconhecidos como profissionais autónomos ou como executores qualificados de políticas decididas à distância?
Nas últimas décadas, a escola portuguesa conheceu uma transformação silenciosa, mas profunda. Multiplicaram-se mecanismos de controlo, plataformas, metas, monitorizações, relatórios,........
