A acampada do Porto e o poder político a mostrar os dentes
Há várias razões que me impelem a escrever sobre os acontecimentos da última semana no Porto, quando umas centenas de pessoas se manifestaram no centro da cidade pelo direito à habitação e sobre elas, de madrugada, investiu a polícia de intervenção.
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A primeira razão é o facto de o Porto ser a minha cidade. Cidade da qual sempre se pôde esperar resistência, natureza insubmissa e vontade indómita. Estranho parece, aliás, que o seu edil não conheça suficientemente a cidade a cujos destinos preside, e que é também a sua, para saber que o carácter revolucionário do Porto, forjado nas fileiras liberais, no republicanismo, no oposicionismo democrático, não se furta a mostrar a sua força quando é preciso nem teme retórica musculada. Ameaças de implacabilidade contra manifestantes pacíficos são, portanto – no mínimo –~, de uma enorme inabilidade política por parte de quem as faz.
A segunda razão é a circunstância de, ao longo dos últimos meses, ter participado, como perita designada para a contribuição portuguesa, num estudo de âmbito europeu destinado a analisar a igualdade e a não-discriminação no sector da habitação, com vista a captar as dimensões da igualdade no acesso, da acessibilidade económica, da adequação às necessidades e da segregação e exclusão, bem como a situação de sem‑abrigo. Tenho, por esse motivo, um ponto de observação privilegiado, não só da crise habitacional que grassa por toda a Europa, de forma especialmente grave em Portugal, inflamando justamente todos quantos sofrem com os seus efeitos, em particular os mais jovens, mas também do facto de diferentes segmentos da população viverem a crise habitacional de formas distintas – em especial as pessoas que já se encontram em situações de vulnerabilidade e que mais necessitam de apoio.
Longe dos holofotes da discussão política ficam........
