Os adiantados mentais
Parte do país está convencida de que Portugal tem apenas um problema: André Ventura. A outra parte está convencida de que Portugal tem apenas uma solução: André Ventura. Pessoalmente, não acredito que Ventura seja um problema ou a solução. Ele goza de carta branca e, por isso, pode se dar ao luxo de nadar contra a corrente, representando efectivamente uma parcela significativa dos cidadãos e eleitores antissistema, por estar na oposição, algo impossível para a direita no governo e para a esquerda que é orgânica a esse sistema.
É claro que Ventura e o seu partido têm vindo a explorar ao máximo esse “isolamento” para promover uma linha antissistema que nem o Governo nem esquerda podem apoiar. Contudo, caso esse “isolamento” conduza Ventura à vitória, não poderá agir de outra forma: ele alinhar-se-á aos ditames internacionais – institucionais, europeus, atlânticos, económicos e globais -, como de resto acontece com a direita em Belém ou no governo e com a esquerda mesmo quando está na oposição. Obviamente que nada disto significa que Ventura terá de abandonar todas as batalhas políticas anunciadas, mas que o alcance da sua acção para mudar radicalmente a realidade do país é muito limitado. Se não aceitar essa “servidão”, se se quiser manter fiel à sua vocação original antissistema, Ventura será rapidamente varrido do poder; na verdade, ele nem sequer chegará perto dele. Escapar dessa espécie de colonização, exigiria muita coragem, alianças sólidas, estratégias de longo alcance… condições que Ventura não tem nem mesmo em sonhos. De qualquer forma, teria sempre Ursula von der Leyen para lhe lembrar “que se as coisas correrem mal”, a Comissão Europeia “tem as........
