Ficou tudo por fazer
Perdidos no ruído, o mais difícil é perceber que quase tudo o que nos enche de vazio é esse ruído. Perdidos no ruído, temos dificuldade até em perceber que estamos perdidos. É esse o papel primordial do ruído, o de nos alienar do facto de já não sabermos onde estamos, muito menos para onde queremos ir. Ruído é a nossa incapacidade fustigante, que nos assalta como se fosse uma normalidade, para comer, ouvir, pensar, viver sem interferência permanente. Ruído é como que não saber estar preso no estado permanente de existir sem sentir a necessidade vital de procurar pelo ruído.
O ruído assume várias formas nas nossas vidas. Para os mais graúdos, são as notificações no telemóvel; os canais de notícias que já não sabem o que é dar notícias, porque a notícia se substituiu àquilo que a fazia acontecer: a própria vida. Não deixamos espaço para o tempo correr nem para a vida acontecer, o alarme impõe-se em constância, como se tivéssemos de estar sempre a contar o que está para acontecer. E o ruído é esse esquecer que nos apanha na curva e que nos impede de viver o que estava para........
