Os desafios de segurança e defesa da União Europeia em 2026
A Europa enfrenta em 2026 aquilo que os estrategas militares chamam de uma ameaça de “múltiplos teatros”: crises simultâneas em geografias diferentes que exigem respostas coordenadas com recursos limitados. Não considero que 2026 seja o ano do colapso, mas sim o ano em que a liderança europeia deixa de poder fingir que pode escolher onde atuar. No seu livro recente, o Embaixador João Vale de Almeida descreve a última década como o “divórcio das nações”. O Brexit foi o primeiro grande sinal dessa tendência. Em 2026, a questão não se limita apenas à divisão interna da União. Há também um risco de divisão entre a Europa e os Estados Unidos. Isso pode levar ao fim da NATO. Nunca pensamos que isso poderia acontecer.
Atualmente, as linhas divisórias entre conflito e paz, entre economia e segurança, entre o que é interno e externo, são percorridas por métodos de coação constantes: sabotagem, ciberataques, desinformação, pressão sobre cadeias de abastecimentos, instrumentalização de movimentos migratórios e, se necessário, pelo menos até à data, recurso à força militar convencional. Em 2026, essas pressões vão se unir e a Europa será avaliada pela sua capacidade de enfrentar todas elas ao mesmo tempo.
O primeiro teatro é o Leste. Na Ucrânia, a guerra consolidou-se numa lógica industrial: quem sustenta o ritmo de munições, defesa aérea e reposição de perdas tem vantagem. A Europa fez progressos na produção de munições e no apoio financeiro e militar, mas o diferencial de escala com a Rússia continua a ser significativo e preocupante. O risco para 2026 não é um colapso súbito das linhas da frente, mas sim a fadiga conjugada coma deserção e fuga dos soldados da frente de batalha, bem como o desgaste político e industrial acumulado. Se alcançarmos essa situação de rutura total, a negociação deixará de ser uma opção e transformar-se-á numa imposição aos ucranianos. O acordo de paz, tarde ou nunca virá, pois, a maior parte dos ditos “obreiros da paz”, querem claramente a continuidade da guerra até à capitulação da Ucrânia, bem como, o desgaste, o enfraquecimento e até a “implosão interna” da........
