Museu Nacional da Música - um sonho com mais de 150 anos
A música é uma das mais profundas e antigas manifestações da condição humana. Desde os primeiros instrumentos musicais rudimentares até às mais complexas composições contemporâneas, ela tem acompanhado a evolução das sociedades, servindo como linguagem universal capaz de unir pessoas, celebrar momentos e expressar sentimentos.
A importância da música para o ser humano reside, precisamente, nessa capacidade de provocar emoções, criar identidade e fortalecer laços comunitários. Ela está presente nos rituais, nas celebrações, no quotidiano e nos grandes momentos históricos, constituindo-se como um património imaterial que molda culturas e gerações.
É por isso que a preservação dos arquivos musicais e dos instrumentos históricos assume um papel central na preservação da nossa herança cultural. Arquivos sonoros, em especial fonogramas; partituras manuscritas e vasta documentação musical; instrumentos construídos por gerações de artesãos são testemunhos insubstituíveis da criatividade humana e da riqueza cultural, das quais somos naturais herdeiros.
Sem a sua salvaguarda, perde-se não apenas o objeto físico, mas também o conhecimento, a técnica, a intencionalidade artística e a memória das comunidades que lhe deram origem. A musealização, associada à preservação e ao restauro, é, deste modo, um gesto de responsabilidade e respeito para com o passado e, simultaneamente, um investimento na formação das gerações futuras, que encontrarão nestes testemunhos uma fonte de estudo, de descoberta e de inspiração para novas composições ou novos instrumentos.
Neste contexto, a criação de um Museu Nacional da Música tornou-se uma necessidade que remonta ao reinado de D. Luís I. Por diversos motivos, esta ideia foi consecutivamente adiada, ou apenas parcial e temporariamente concretizada, como aconteceu até 2023, data em que encerrou as suas portas, a instalação provisória que funcionava na estação do Metropolitano de Lisboa no Alto dos Moinhos, para preparar a sua instalação definitiva no Real Edifício de Mafra, onde ontem reabriu portas, com grande esplendor e magnanimidade.
Um museu desta natureza possibilitou reunir num só espaço um património que se encontrava disperso, passando de 250 para mais de 500 peças e instrumentos em exposição, garantindo a sua conservação. Sobretudo, permite apresentar ao público a diversidade e a profundidade da história musical portuguesa, desde a música........
