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Mercosul: ainda falta o consentimento do Parlamento Europeu!

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20.01.2026

Este fim de semana fica marcado para a história como o (provável) início de um novo ciclo no singular percurso da União Europeia (UE). A UE acaba de assinar, ao fim de 26 anos de negociações, o maior acordo comercial da sua história, criando uma das principais zonas de livre-comércio do mundo. A UE, com esta assinatura, dá um passo gigante no reforço da sua soberania e autonomia estratégica, garantindo crescimento económico e competitividade aos 27 Estados-membros.

Para os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), a UE abre, igualmente, um amplo espaço promotor de modernidade e progresso, terreno fértil para aumentar as exportações, receberem mais investimento, maior modernização económica e menor isolamento comercial, além de ajudar a transformar mentalidades e favorecer o desenvolvimento global.

Para Portugal, esta é uma excelente oportunidade de negócio, pois teremos ao nosso dispor um amplo mercado para exportação a custos mais competitivos. Presentemente, a nossa balança comercial com estes quatro países da América Latina é desequilibrada, pois exportamos mil milhões de euros em bens e mercadorias e importamos 3,5 mil milhões, dando origem a uma balança comercial deficitária de 2,5 mil milhões de euros. Com a isenção das tarifas, iremos conseguir diminuir este déficit face a um mercado de mais de 270 milhões de consumidores, dos quais 210 milhões falam português.

Se pensarmos, por exemplo, que o mercado brasileiro é o terceiro maior consumidor de vinho português, os nossos produtores de vinho têm aqui amplas vantagens, que se estendem também aos produtores de azeite e de queijo. Atualmente, o vinho português para entrar no bloco sul-americano paga uma tarifa de 35% e o azeite, 10%. Ora, com este acordo, as tarifas são gradualmente eliminadas, o que torna mais acessível o consumo dos nossos produtos pelo gigantesco mercado sul-americano, ajudando a equilibrar a nossa deficitária balança comercial.

Para Portugal, a designação de 36 Indicações Geográficas Protegidas (IGP), incluindo a pera Rocha do Oeste, o queijo da Serra da Estrela, o mel dos Açores, o vinho do Porto ou o azeite de Mora, é crucial para prevenir a concorrência desleal entre produtos do Mercosul que tentam imitar produtos genuínos da União........

© Observador